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| Imagem Canal Ciências Criminais |
Black arrasta a corrente à procura de um naco
de céu caído. Em vão. Apenas morde,
neste tão derradeiro ano disto que é morte,
os repisados vãos do seu metro quadrado.
Passa os dias assim apesar de cansado
de outros dias assim apesar da má sorte
que lhe impõe a renúncia apesar do transporte
aos cuidados da mãe apesar de passados.
Um minuto à tardinha, o carcereiro vem
renovar a ração, saber da água também,
tratar da merda no ar que chateia o vizinho.
Black quer-lhe bem. Pele e osso, a cabeça vergada,
fica a vê-lo partir e nunca pede nada,
aprisionado já no seu próprio latido.
fica a vê-lo partir e nunca pede nada,
aprisionado já no seu próprio latido.
Leceia e 2015

Não vale a pena, António. O Black já morreu e tu continuas a pensar que o homem tem solução.
ResponderEliminarolá desde há tempo Antonio, obrigada pela lembrança:) é gostoso ler-te, como tão bem lidas com as palavras, escritas, a tratar o desespero com o carinho duma malga de sopa de pão que faz bem ao coração 🤗
ResponderEliminarMuito bem escrito, To só é pena que as relações das pessoas com os animais sejam quase sempre tristes e pesadas para eles claro.
ResponderEliminarBom verão.
Conheci um cão chamado Black. Fui eu que lhe dei o nome. Personalidade, carácter, postura impecável...amava-o como um irmão e na verdade dávamo-nos como tal…
ResponderEliminarO meu ex-sogro deixou-o morrer canceroso...nunca o levou ao veterinário apesar de eu o ter instado a isso…
Quando sobe da sua morte chorei como se chora por um amigo e irmão que felizmente conheci e com o qual convivi alguns anos com a sensação de ter um amigo que não falava mas sabia transmitir a mensagem… uma mensagem de irmandade e cumplicidade a qual, creio, nunca mais conhecerei…
Não estava acorrentado quando eu lá estava com ele, partilhava o seu tempo comigo e também os meus charros que o tornavam mais próximo e mais feliz...quantas vezes íamos até ao fundo do terreno à noite, às escuras...nunca caí apesar da escuridão..Black seguia ao meu lado como dois amigos que passeiam sem falar e sem necessidade disso.
Permanece na minha memória esse amigo/irmão de outra raça que espero encontrar de novo quando o infinito decidir.
Por isso o teu soneto faz tanto sentido para mim...eu podia tê-lo escrito mas ainda bem que foste tu. Fizeste o soneto que eu devia ter feito e nunca consegui. Obrigado.