folha ao vento ao vento ao vento ao vento que em vento vais invento que em vento vens em venvais da minha vez em venvais da minha vez em meu sol de frenesi folha ao vento ao vento ao vento o que eu não faço por ti o que eu não faço por ti enquanto aqui me souber neste ao vento ao vento ao vento folha ao vento ao nosso vento folha ao vento ao nosso vento nós ao vento ai nós ao vento a ver quem primeiro chega quem primeiro ao fim do vento quem primeiro ao fim do vento de saber-te e me saberes eu ao vento ao vento e tu folha ao vento ao vento adeus
Parece que estou doente
no reino da patarata
e que a rapariga mente
quando à noite já está farta.
Ah! Porquê tanto alvoroço?,
esse olhar que compromete?
o riso de cão sem osso,
a companhia que é frete?
Por que me sinto leproso,
desvairado sem colete?, vespa voejando um poço
que à sua sede promete?
Por que sinto estar doente
no reino da patarata
e que a rapariga mente
porque está farta e bem farta?
Esta originalíssima cantiga de amigo de Pedro Anes Solaz (séc. XIII) tem, ao que se julga, refrão em língua árabe ("lelia doura" - a noite é longa; "edoi" - esmoreço) e aludirá, segundo alguns, aos amores proibidos entre uma donzela e um músico muçulmano (http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=838&pv=sim). Está entre os mais belos poemas galaico-portugueses e não me canso de ouvi-lo na voz e na música de Amancio Prada.
- Dizem que nunca na vida prendes o passo, que nem sequer pensas no regresso: pois darias por perdida a alma inteira, pois não tens gosto no que tens por certo.
Dizem mais: que sobrevoas o lastro do que persiste ao largo do que acontece, que ninguém te vê à toa disto que hoje nos faz tristes e que ontem nos trouxe inertes.
E dizem que de futuro darão sonhos ao teu nome e o teu nome às madrugadas: mostraste, acima de tudo, que um dia quem nunca pôde há-de por fim abrir asas.
Pensei dar-lhes o nome de
rolas
que nas nossas memórias ficasse;
têm a textura das aves em fuga
e o desejo de fuga das aves,
o arrulho das noites em espera,
o aroma impreciso do que há-de.
Porque o amor nesses dias poalhava
de mistérios teu corpo sem dono,
quis mantê-las em conchas de mão,
concebê-las em sonos de sonho,
percorrê-las enquanto houvesse onde,
conhecê-las em quandos de outono.
Mas agora que tudo já sobra,
que faço eu do que nunca foi meu?
Se já nem o meu corpo é de aqui
que palavras serão mais que nada?
Se algum dia houver nós outra vez,
há-de ser em palavras como aves;
pensei dar-lhes o nome de rolas
que nas nossas memórias ficasse.
---------------------------------------------lisboa e 1991
Acompanhar-te à cama e roer-te
a cabeça dos olhos ao pescoço.
Sugar-te a língua como quem tem sede
das estrelas que nela têm porto.
Mastigar os teus lábios sem paredes
e encher a boca no teu seio gordo.
Gritar «Meu Deus! Mas que caminhos estes»
para te ouvir dizer o amor dos outros.
Com a força dos meus beijos derreter-te
esse desejo fácil e sem dono.
E no silêncio, enfim, ficar a ver-te
sorrir de lágrimas em fim de outono.
Finalmente febril
ajeito-me a um canto do nosso chão:
nós tão aqui e o mundo a mil
e o meu corpo no teu abraço
e nos teus olhos tudo o mais que faço
e nos teus olhos tudo o mais que faço.
Não quero mais nada, não.
Sob as sombras do tecto
um andar por telhas da tua mão:
o paraíso é tão directo
como um sol que viaje por dentro,
como um bombom de inferno em vai de vento,
como um bombom de inferno em vai de vento.
Não quero mais nada, não.
Mais logo hei-de saber
as manhãs que houver nos beijos que são,
tudo o que em nós queremos ser
e este sol que agora nos tem,
a noite à noite que somos também,
a noite à noite que somos também.
. Depois da Margarida, a verdade é que
fiquei a odiar o triple sec.
Anos depois, a louca da Maria
oferecia-me whisky... e eu bebia.
Nem sei o nome da que num minuto
me fez em shots e me chamou de puto
mas lembro ainda menos a Cristina,
que me enjoou com licores de menina.
A Mariana, essa quase a sei de cor,
que entre gins me elegia um mal menor.
Já a Dora: gostava do bom vinho
e foi com ela que eu estive melhorzinho.
A belga, quase não a conheci...
mas essa só queria eau-de-vie.
E o que dizer da incrível Gabriela
que me afeiçoou ao álcool com canela?
Mais incríveis ainda, a Ana Maria,
que se banhava em vodka... e eu lambia,
ou as gémeas de Arroios, que eram minhas
em troca de outras tantas caipirinhas.
A Xana? Essa era rum e coca-cola
mas decerto não fomos muito à bola.
Acaba aqui a lista. Vivo em paz
e há quatro anos que bebo água com gás.
que me passou hoje?
como dentro um grilo sob a cama _____a gritar a gritar
e no coração este dia _____a doer a doer _____a doer-me de todos...
mas que fábrica de vento!
de um sopro arrumou a casa _____ao contrário
e alçou esta biografia
traída
no chão
de tantos _____livros mortos.
ah! diabo do grilo a cuscar
a cuscar a cuscar _____no centro dos meus ouvidos!
meu amor, se vieres
traz a nossa língua
vem beijar de saliva a serrilha _____das suas asas __________partidas.