sabe sempre soube que não tem cama bastante para ti
e não sonha a casa que te aprisionaria tudo o que tu não queres ele contigo enjeita
é por isso que não estranha o vazio do teu cabelo nas mãos que ainda lembram e é também por isso que sempre conjuga os tempos da ausência na tua voz
numa noite com os minutos desta descobre que já se habituou ao silencioso adeus com que foi morrendo na memória do teu ventre
numa noite com os minutos desta apenas se consolaria do brevíssimo sorriso do sopro de ontem do pó sem futuro que num cantinho de coração tu lhe tivesses guardado
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
REDONDILHA MENOS
és desequilibrista digo-lhe eu andas sempre à procura do voo picado que te esqueça
mas a vida não é isso dionísio a vida faz-se de vivê-la
ele nem ouve
pega no portátil e deixa-se cair outra vez o milionésimo raide à rede em busca de um nome uma cara um vestígio das novidades que perdeu
quando por fim se apeia no meu relógio é só para despir as lágrimas e vestir de sorriso e sussurrar-me um ou dois pedidos:
luís por que não te calas?
cala-te e volta a ajudar-me com as tuas malditas redondilhas repõe o sonho arredonda as arestas da minha queda
mas a vida não é isso dionísio a vida faz-se de vivê-la
ele nem ouve
pega no portátil e deixa-se cair outra vez o milionésimo raide à rede em busca de um nome uma cara um vestígio das novidades que perdeu
quando por fim se apeia no meu relógio é só para despir as lágrimas e vestir de sorriso e sussurrar-me um ou dois pedidos:
luís por que não te calas?
cala-te e volta a ajudar-me com as tuas malditas redondilhas repõe o sonho arredonda as arestas da minha queda
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
ANGÚSTIA
nesse ilhéu que tu habitas não há telefones nem correios dionísio nem sequer o vento que levanta as palavras quando os homens querem
que te resta senão explodir?
que te resta senão explodir?
sábado, 25 de setembro de 2010
PELA ABOLIÇÃO DAS TOURADAS
paulo borges lançou há tempos uma petição pela abolição das touradas e dos espectáculos de touros com os argumentos que aqui se podem ver: http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=010BASTA
lesado por esta bem fundamentada petição tão lesado que chega a fazer-nos pensar que a mesma é um acto de terrorismo pôs-se de bespinhas o presidente da câmara de santarém que se diz franciscano e aficionista sem imaginar sequer que há aqui uma contradição nos termos e pior do que isso usando o seu bizarro franciscanismo como argumento de autoridade
num texto pejado de incongruências raciocínios dicotómicos e simplistas e ataques ad hominem chega a chamar de talibãs e histéricos entre outras injúrias aqueles que apelam à abolição das touradas e que por isso também constituem uma horda de analfabetos
fica aqui já agora o endereço deste chorrilho que ilustra na perfeição como não se deve defender uma causa e que se coaduna esse sim com a mais conhecida acepção de histerismo: http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N2951
incrédulo ante as barbaridades e os disparates e nem que fosse para manter apenas a higiene mental já me preparava eu para alinhavar neste cantinho que me organiza um humilde comentário à salada de pseudices com que moita flores pretende defender a chamada festa brava
mas começava a fazê-lo quando alguém me mostrou que não era preciso: o próprio paulo borges se encarregou disso e bem melhor do que eu faria na sua resposta aberta:
http://triplov.com/triplo2/2010/09/23/carta-aberta-de-paulo-borges-a-moita-flores-sobre-as-touradas
coteje-se para que não restem dúvidas
lesado por esta bem fundamentada petição tão lesado que chega a fazer-nos pensar que a mesma é um acto de terrorismo pôs-se de bespinhas o presidente da câmara de santarém que se diz franciscano e aficionista sem imaginar sequer que há aqui uma contradição nos termos e pior do que isso usando o seu bizarro franciscanismo como argumento de autoridade
num texto pejado de incongruências raciocínios dicotómicos e simplistas e ataques ad hominem chega a chamar de talibãs e histéricos entre outras injúrias aqueles que apelam à abolição das touradas e que por isso também constituem uma horda de analfabetos
fica aqui já agora o endereço deste chorrilho que ilustra na perfeição como não se deve defender uma causa e que se coaduna esse sim com a mais conhecida acepção de histerismo: http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N2951
incrédulo ante as barbaridades e os disparates e nem que fosse para manter apenas a higiene mental já me preparava eu para alinhavar neste cantinho que me organiza um humilde comentário à salada de pseudices com que moita flores pretende defender a chamada festa brava
mas começava a fazê-lo quando alguém me mostrou que não era preciso: o próprio paulo borges se encarregou disso e bem melhor do que eu faria na sua resposta aberta:
http://triplov.com/triplo2/2010/09/23/carta-aberta-de-paulo-borges-a-moita-flores-sobre-as-touradas
coteje-se para que não restem dúvidas
RESSACA
no primeiro dia prometeu que nunca mais se avinhava no segundo garantiu que o copo vinha apenas ao almoço
só que hoje viu-te passar ao longe talvez tivesse imaginado?
não pôde que não subisse a escada com as ânsias em volta e torceu a pata e arrastou-se até à cama e de novo se meteu na jaula
enfim urge a garrafa do esquecimento
alguém me diz como dionísio acaba?
só que hoje viu-te passar ao longe talvez tivesse imaginado?
não pôde que não subisse a escada com as ânsias em volta e torceu a pata e arrastou-se até à cama e de novo se meteu na jaula
enfim urge a garrafa do esquecimento
alguém me diz como dionísio acaba?
terça-feira, 21 de setembro de 2010
DOENÇA FATAL
garantiu-lhe quem sabe que não se ama ao longe que o amor é sempre a mais do que um
só agora parece entender que as suas escolhas sempre o levaram a menos do que dois
isto que tanto lhe dói não será amor não: é a-mor-te
só agora parece entender que as suas escolhas sempre o levaram a menos do que dois
isto que tanto lhe dói não será amor não: é a-mor-te
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
justiça
olhai como esse homem cabisbaixa como sobre um copo de amargura já desiste do que está por vir
olhai como ele hipoteca o passado e injustiça os que decidiram partir
olhai e aprendei meus amigos e aprendei também para mim:
que todo o sorriso guarde as despedidas se também pela morte se mede a vida
olhai como ele hipoteca o passado e injustiça os que decidiram partir
olhai e aprendei meus amigos e aprendei também para mim:
que todo o sorriso guarde as despedidas se também pela morte se mede a vida
MIÚDA
eu peço a cerveja ela o café com perna-de-pau é o nosso encontro à sexta
às vezes trocamos as minhas escrituras pelos estudos que a apaixonam mas esta voz que tantas vezes apago açambarca a maior parte do nosso tempo
claro que as novidades são dela e eu apenas me esforço por limar arestas de histórias antigas
antes ainda me avisava já disseste isso na semana passada talvez seja a poeira dos anos que me obriga a juntar pormenores noutros tons das mesmas cores é por isso que ela agora sorri quando eu me repito e que eu me repito ainda mais porque a vejo sorrir
outras vezes no entanto como anteontem eu passo demasiado rente ao solo e ela parece exausta
guardamos silêncio então que não sei de quem melhor lide com a minha tristeza e só me importa adivinhar o sabor do gelado e sentir o aroma do café e perceber que ela dormiu tão pouco
será que a convenço para hoje? fiquei tão só da semana que trazia...
às vezes trocamos as minhas escrituras pelos estudos que a apaixonam mas esta voz que tantas vezes apago açambarca a maior parte do nosso tempo
claro que as novidades são dela e eu apenas me esforço por limar arestas de histórias antigas
antes ainda me avisava já disseste isso na semana passada talvez seja a poeira dos anos que me obriga a juntar pormenores noutros tons das mesmas cores é por isso que ela agora sorri quando eu me repito e que eu me repito ainda mais porque a vejo sorrir
outras vezes no entanto como anteontem eu passo demasiado rente ao solo e ela parece exausta
guardamos silêncio então que não sei de quem melhor lide com a minha tristeza e só me importa adivinhar o sabor do gelado e sentir o aroma do café e perceber que ela dormiu tão pouco
será que a convenço para hoje? fiquei tão só da semana que trazia...
domingo, 19 de setembro de 2010
INVERNO
dionísio já não quer saber de cinemas e outros teatros as patacas mal chegam para a zurrapa do consolo
digamos à guisa de resumo que abocanhou o anzol do fim e foi apanhado na rede é aí que rechiflao en su tristeza gardel lhe esmurra a espera e os mariachi lhe atiram culpas
há também ao que parece um correio sempre vazio e o silêncio dos telefones
entretanto e no entanto ele ainda suspira e chora quando na caixa dos possíveis desatam dois a querer-se
nessa mesmíssima caixa e para sermos completos já não há socratice nem coelhos à solta nem novas alçadas que possam voltar a fazê-lo casquinar
dionísio enfim esfriou demais nenhum outono quer receber a coroa do tão-estio que agora morre
digamos à guisa de resumo que abocanhou o anzol do fim e foi apanhado na rede é aí que rechiflao en su tristeza gardel lhe esmurra a espera e os mariachi lhe atiram culpas
há também ao que parece um correio sempre vazio e o silêncio dos telefones
entretanto e no entanto ele ainda suspira e chora quando na caixa dos possíveis desatam dois a querer-se
nessa mesmíssima caixa e para sermos completos já não há socratice nem coelhos à solta nem novas alçadas que possam voltar a fazê-lo casquinar
dionísio enfim esfriou demais nenhum outono quer receber a coroa do tão-estio que agora morre
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
DESAMPARO APRENDIDO
quantas dessas lágrimas quanto desse coração apertado nas urgências do hospital quanta morte deixaram os que partiram sem adeus?
quanta mágoa abafas dos olás que te proibiram?
quantas vezes quantas calcas esse tão sentido amo-te que mal te adormece já te desperta?
quanto guardas prescindível dionísio da vida que nunca foi tua?
quanta mágoa abafas dos olás que te proibiram?
quantas vezes quantas calcas esse tão sentido amo-te que mal te adormece já te desperta?
quanto guardas prescindível dionísio da vida que nunca foi tua?
SONETO ANCESTRAL
um vórtice de febre me devora às vezes um imenso mar de cinza que esbate os tímpanos que grita ao rasto da minha pele entre algas de silêncio
uma náusea inquieta que me afunda um dilúvio de plástico e alcatrão que as fronteiras desfaz que cega as vozes na densidade destes peixes podres
sorri-me então um vago tiritar um saber e de cór as cefaleias da côr essas que esgueiram em camisa por entre as horas os invernos todos
quando assim acontece tudo é dentro e quando não é porque tudo é fora
uma náusea inquieta que me afunda um dilúvio de plástico e alcatrão que as fronteiras desfaz que cega as vozes na densidade destes peixes podres
sorri-me então um vago tiritar um saber e de cór as cefaleias da côr essas que esgueiram em camisa por entre as horas os invernos todos
quando assim acontece tudo é dentro e quando não é porque tudo é fora
OBSTINAÇÃO
dionísio esqueceu que o assassinaste que a vossa última cama era já o seu enterro que estes aparentes bons-dias apenas são as missas obrigatórias
é por isso que abre a porta e guarda a casa: para que o dia em que regresses repita os dias em que ficavas
mais rara foi essa vez em que lisboa nevou
é por isso que abre a porta e guarda a casa: para que o dia em que regresses repita os dias em que ficavas
mais rara foi essa vez em que lisboa nevou
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
A TUA CASA
todas as noites o homem te espera olhar posto onde por onde chegarás convicto de que em deus e outros demónios tu lhe pertences
pescoço guerreiro e vertical um cíclico lamber de pestanas na luva do sono assevera que o vosso encontro vem de outras carnes
cumprimenta-me já sol que é quando me vê passar e pergunta-me por que histórias nunca mais quiseste
sei lá eu caro amigo sei lá eu dela e de quem dela sabe
também não importa garante o silêncio do homem porque um dia ninguém duvida tu hás-de vir por quem te espera sempre
nesse dia pedir-lhe-ás que entre
e será esse o teu primeiro pé dentro da casa
pescoço guerreiro e vertical um cíclico lamber de pestanas na luva do sono assevera que o vosso encontro vem de outras carnes
cumprimenta-me já sol que é quando me vê passar e pergunta-me por que histórias nunca mais quiseste
sei lá eu caro amigo sei lá eu dela e de quem dela sabe
também não importa garante o silêncio do homem porque um dia ninguém duvida tu hás-de vir por quem te espera sempre
nesse dia pedir-lhe-ás que entre
e será esse o teu primeiro pé dentro da casa
QUE DE RARO
que de raro tem dom joão destruir os alarmes navegar plano e piano sob as ondas que passaram saber que anteontem se extinguiu o futuro?
que de raro tem que apesar de tudo agora sejas a deusa única e serena essa que a um tempo lhe liberta o sonho e angustia a espera?
que de raro tem o amor sem fim após o fim dos amores?
que de raro ó maravilha que de raro se ainda e sempre dom joão te quer tanto?
que de raro tem que apesar de tudo agora sejas a deusa única e serena essa que a um tempo lhe liberta o sonho e angustia a espera?
que de raro tem o amor sem fim após o fim dos amores?
que de raro ó maravilha que de raro se ainda e sempre dom joão te quer tanto?
terça-feira, 14 de setembro de 2010
VENDE-SE
pôs uma casa sobre caboucos de lama quando a lama ainda era promessa
e diga-se por que não se esqueça ergueu pintou entreteve as mãos com tontura antiga e vertigem recente
durante meses juro-to inventou que tudo aquilo ainda viria a ser um lar
e é cobardia isto agora?
sabe-se lá que importa o que é... verdade é que a casa não lhe apetece e que lisboa junto aos anjos também se vende
e diga-se por que não se esqueça ergueu pintou entreteve as mãos com tontura antiga e vertigem recente
durante meses juro-to inventou que tudo aquilo ainda viria a ser um lar
e é cobardia isto agora?
sabe-se lá que importa o que é... verdade é que a casa não lhe apetece e que lisboa junto aos anjos também se vende
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
DAS NUVENS PELO AR
todos se instalaram no teu sorriso largo e sonharam entre a sopa e o pudim
depois veio o brinde o desejo de que estejas sempre
e quase por fim muito quietinho o sofá sentou os sonos que foram chegando
tu e eu somos este milagre mesmo o tempo que em nossos corpos a rotina sempre junta
depois veio o brinde o desejo de que estejas sempre
e quase por fim muito quietinho o sofá sentou os sonos que foram chegando
tu e eu somos este milagre mesmo o tempo que em nossos corpos a rotina sempre junta
domingo, 12 de setembro de 2010
DIVÓRCIO
jamais te oferecerei a flor que pedes não sou de fazer a morte com as minhas mãos
e se reparares bem nos dias que gasto também não sei proteger o viço da rosa à custa de outras seivas
parece tão simples não parece? tão ultrapassável
e no entanto continuamente nos obstinamos na incompreensão do outro
deixemos pois cair este nosso exagero a que chamas amor
e se reparares bem nos dias que gasto também não sei proteger o viço da rosa à custa de outras seivas
parece tão simples não parece? tão ultrapassável
e no entanto continuamente nos obstinamos na incompreensão do outro
deixemos pois cair este nosso exagero a que chamas amor
sábado, 11 de setembro de 2010
isso de amores
passa pela noite sem fotografias mas exibe-se ao espelho na tasca da uma
é lá que esconde a saudade pelo que nunca teve e doura num sorriso os deuses paralelos
já ia larga a viagem de ontem quando a única fêmea lhe pôs num sussurro como vai isso de amores?
uma merda e sabe-se que assim é
não sei por que mais também lhe quis ela perguntar e tu és dos que são de mulheres?
da garrafa dionísio engoliu mais de meia anestesia e disse tudo não eu sou dos que são de nada a perda dos teus minutos um vazio na cama
e nessa madrugada isso de amores foi a merda do costume
é lá que esconde a saudade pelo que nunca teve e doura num sorriso os deuses paralelos
já ia larga a viagem de ontem quando a única fêmea lhe pôs num sussurro como vai isso de amores?
uma merda e sabe-se que assim é
não sei por que mais também lhe quis ela perguntar e tu és dos que são de mulheres?
da garrafa dionísio engoliu mais de meia anestesia e disse tudo não eu sou dos que são de nada a perda dos teus minutos um vazio na cama
e nessa madrugada isso de amores foi a merda do costume
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
e tu
talvez as melhores contas acabem no treze como a dos animais que estimei e estimo com ninho aos meus pés e coração na cabeça:
o branco e a riquita cães em angola que a minha infância maltratava e que ainda assim me quiseram
três coelhinhos
o primeiro de todos o terrífico sempre pelos arcanos da casa à espreita da vigilância esquecida
depois esses que antónio chamei à distância de um lustro: o de orelhas pelo chão e o de orelhas como as orelhas são
o sapo-concho em que nunca pensei com nome porque ele nunca mo quis de meu pai ao lago roubado um dia ao lago devolvido
o piloto tão dono do meu destino
a bonita tão ávida nas minhas mãos
a pombinha que no armário convalesceu e que de ave já se fez ao céu
o mais pequeno mais raquítico porquinho que roubei à morte na ninhada mas que trouxe a morte ao meu quarto
o barbas velho amante incondicional admirador do meu passado
o bê-dê esse grande e meigo café com leite feliz agora e tapete decidido na investigação dos meus passos
e tu meu amor
o branco e a riquita cães em angola que a minha infância maltratava e que ainda assim me quiseram
três coelhinhos
o primeiro de todos o terrífico sempre pelos arcanos da casa à espreita da vigilância esquecida
depois esses que antónio chamei à distância de um lustro: o de orelhas pelo chão e o de orelhas como as orelhas são
o sapo-concho em que nunca pensei com nome porque ele nunca mo quis de meu pai ao lago roubado um dia ao lago devolvido
o piloto tão dono do meu destino
a bonita tão ávida nas minhas mãos
a pombinha que no armário convalesceu e que de ave já se fez ao céu
o mais pequeno mais raquítico porquinho que roubei à morte na ninhada mas que trouxe a morte ao meu quarto
o barbas velho amante incondicional admirador do meu passado
o bê-dê esse grande e meigo café com leite feliz agora e tapete decidido na investigação dos meus passos
e tu meu amor
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
JÁ NÃO HÁ CARCAÇAS SALGADAS
o sal agride-me o palato na maioria das sopas mas nos últimos tempos já o avaliava no pão em justa medida
desconfio por isso que a lei há pouco saída impedindo mais de 0,55g de sódio por 100g de produto final está apenas a proibir gambozinoslei séria promoveria melhor informação sobre os malefícios do sal em excesso e não só lei séria imporia a todos os alimentos a indicação da quantidade de sal e não só lei séria realçaria em todas as embalagens os valores diários aconselhados de sal e não só
cada um deveria poder fazer as contas e decidir por si
exemplificando quase todos os queijos são salgados e às vezes até me apeteceria neles um naco de insulsez assim como outras vezes me poderia alegrar uma carcaça salgada
agora sei que isso é impossível
que obrigado estou por continuarem a decidir por mim! eles bem sabem: o estúpido sou eu
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
sakineh
não consigo imaginar sakineh por que torturas a mentira se fez verdade
talvez já não esperes a clemência dos bandidos talvez estejas convicta de que nem a mereces de tanto deus que te falta
sim porque deus é só quando os homens querem e os homens que governam o teu país são poços vazios das almas que sugam
não consigo imaginar sakineh a vida castigada no látego insensível
que mão atormentou as tuas procuras? com que cega cobardia comanda ela os destinos do teu corpo? como pode ela decidir o fim dos teus dias?
só encontro na minha perplexidade os olhos vazios e fundos com que se preparam para te apedrejar
a estupidez é o seu castigo mas por que razão hás-de tu pagar por ela?
sábado, 14 de agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
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A quadra cai sempre a mesma
na cabeça do poetastro:
segue à dízima da resma
esta mancha em que eu alastro.
na cabeça do poetastro:
segue à dízima da resma
esta mancha em que eu alastro.
c major ii
Eu ando exausto de mim,
das minhas noites vazias,
de ter fracassado assim,
de acordar todos os dias;
de um sol que nada me traz
e de ouvir sempre esta voz
gritar "eh pá, nem és capaz
de conjugar somos nós".
Os meus versos são apenas
um chorrilho de ais e eus
que, ai!, eu vomito às centenas
no bailarico do adeus.
das minhas noites vazias,
de ter fracassado assim,
de acordar todos os dias;
de um sol que nada me traz
e de ouvir sempre esta voz
gritar "eh pá, nem és capaz
de conjugar somos nós".
Os meus versos são apenas
um chorrilho de ais e eus
que, ai!, eu vomito às centenas
no bailarico do adeus.
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Quem nunca esperou por nada,
cego e surdo, inerte e mudo,
pode numa só golpada
começar a querer tudo.
cego e surdo, inerte e mudo,
pode numa só golpada
começar a querer tudo.
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Ao tonto de alma penada
não lhe pagues um café
que ele só quer não querer nada
por uma hora que nada é.
não lhe pagues um café
que ele só quer não querer nada
por uma hora que nada é.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
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Depois do banho que lhe dou, o Barbas é feliz como nunca eu. Ainda dizem que os tristes não sabem mais que entristecer...
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Clássica é a escrita de eu pedir ajuda. Moderna seria a surdez de quem ma lesse. Contemporânea sempre foi a minha ignorância.
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Um dos caminhos em frente
há-de ser e tanto faz:
por mais que a vida me invente
nunca a vida volta atrás.
há-de ser e tanto faz:
por mais que a vida me invente
nunca a vida volta atrás.
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O passado foi o único caminho até aqui - e é futuro do futuro vir a ser passado. Só o presente é uma encruzilhada.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
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Chora ainda em mim menor
esta vida ao nosso ouvido
mas agora eu sei de cor
o amor em ti sustenido.
esta vida ao nosso ouvido
mas agora eu sei de cor
o amor em ti sustenido.
domingo, 8 de agosto de 2010
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Não consigo perceber o sucesso de "O velho e o mar", de Hemingway. A avaliar pela tradução, o texto nunca levanta voo; e o tema casa bem com um amante das touradas, da caça pela caça e de quejandos: a luta de um velho para não permitir que um infeliz e torturado atum lhe escape com vida.
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Tourada do CDS a 24 de Julho. Pela boçalidade e pela barbárie, o partido dos betinhos-mores dá o exemplo. Atento na Catalunha e tenho vergonha de Portugal.
sábado, 7 de agosto de 2010
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Para a equipa do F.C. do Porto funcionar bem, é preciso, diz o seu treinador, "determinado tipo de tempo". Chiça, o homem deve perceber de Física como ninguém. Ou de Metafísica...
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
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Pronuncia-se b'jeca. Muitos escrevem bejeca. Para mim, e pouco me importa se com razão, sempre foi bojeca, de bojo. Aos quarenta e três, o bojo instalou-se. Só podia.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
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Em agosto, o pinguim é já criatura extinta, até nos lugares por onde mais se passeava. Ou será que os pinguins estivam?
terça-feira, 3 de agosto de 2010
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Confias que é grande coisa
ter bom nome de bons pais
quando a mosca também poisa
na merda que brilha mais.
ter bom nome de bons pais
quando a mosca também poisa
na merda que brilha mais.
elegia
recordo que há tempos me disseste
que tinhas atravessado o mundo
e espreitado o papel das trevas
e dá-se que provavelmente não voltaste
- também recordo agora que não és o mesmo
e eu muito menos do que isso
vamos ter saudades de atum em lata
que tinhas atravessado o mundo
e espreitado o papel das trevas
e dá-se que provavelmente não voltaste
- também recordo agora que não és o mesmo
e eu muito menos do que isso
vamos ter saudades de atum em lata
domingo, 1 de agosto de 2010
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Não há dinossáurios em Portugal. Foram extintos pelos dinossauros, que, como o nome indica, não são lagartos: são lagatos.
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Segundo o comentador, estou a assistir na televisão a uns minutos de rêiguebi. Não confundir com outro desporto muito popular na Inglaterra e que talvez nunca tenha existido entre nós: o râguebi.
sábado, 31 de julho de 2010
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Mais caloria, menos caloria, preciso de duas mil por dia. Não posso distrair-me com as minhas escrituras.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
FAZ-TE À VIDA
Em miúdo, tive de assistir algumas vezes à matança do porco. E, não bastando, também me levaram um par de vezes à tourada. Talvez o primeiro desses actos seja inevitável; mas são evitáveis os requintes de malvadez e a festa que geralmente o acompanham. E que definem as touradas.
Com o tempo, fui descobrindo que ser bípede e desasado nunca foi critério de humanidade. Nesse sentido, já ouvi muitos toureiros pronunciarem-se com menos inteligência que a de um porco; e, entendidos como vêm no dicionário, bacoradas e grunhidos - eu só os tenho encontrado entre os primeiros, boçais contabilistas de orelhas e falsos argumentos.
Isto a propósito de uma notícia que traz duas. As touradas serão proibidas na Catalunha a partir de 1 de Janeiro de 2012 e a minha felicidade só não é completa porque, até lá, é bem provável que aumente o rasto do crime. A horda de bárbaros afluirá a "anular o sofrimento do touro e dignificar a sua morte na arena", segundo as palavras macaqueadas de um tipo a quem deram o nome de Pedrito de Portugal.
É o sofrimento, estúpido, é o sofrimento que começa por estar mal. E quem tem de se dignificar és tu. Faz-te à vida.
Com o tempo, fui descobrindo que ser bípede e desasado nunca foi critério de humanidade. Nesse sentido, já ouvi muitos toureiros pronunciarem-se com menos inteligência que a de um porco; e, entendidos como vêm no dicionário, bacoradas e grunhidos - eu só os tenho encontrado entre os primeiros, boçais contabilistas de orelhas e falsos argumentos.
Isto a propósito de uma notícia que traz duas. As touradas serão proibidas na Catalunha a partir de 1 de Janeiro de 2012 e a minha felicidade só não é completa porque, até lá, é bem provável que aumente o rasto do crime. A horda de bárbaros afluirá a "anular o sofrimento do touro e dignificar a sua morte na arena", segundo as palavras macaqueadas de um tipo a quem deram o nome de Pedrito de Portugal.
É o sofrimento, estúpido, é o sofrimento que começa por estar mal. E quem tem de se dignificar és tu. Faz-te à vida.
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Também da preguiça, e em mim sobretudo da preguiça, se alimenta a maldade. Valha-me em sorte não ser rico.
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À luz do candeeiro, redonda e quieta, a pomba amorrece. No seu pescoço arrepiado levanta-se o temor de que eu a obrigue a desenredar-se. O bom do Barbas afasta-me: ajuda-a, não lhe contamines a espera.
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Assim esvazia e enche a lua,
assim e sempre, aonde eu for,
lembrarei que, mão na tua,
te segredei: «Meu amor...»
assim e sempre, aonde eu for,
lembrarei que, mão na tua,
te segredei: «Meu amor...»
terça-feira, 27 de julho de 2010
0,5
Todo o sono é princípio
do sonho em que um dia foste,
toda a vigília é caminho
para o adeus no teu nome.
Nunca se completa, pois,
a arte antiga de eu perder,
que já nunca chega a dois
quem já nem um pode ser.
Portanto, se ao teu sinal
eu não olhar para ti -
mulher, não leves a mal:
é que eu já não moro aqui.
do sonho em que um dia foste,
toda a vigília é caminho
para o adeus no teu nome.
Nunca se completa, pois,
a arte antiga de eu perder,
que já nunca chega a dois
quem já nem um pode ser.
Portanto, se ao teu sinal
eu não olhar para ti -
mulher, não leves a mal:
é que eu já não moro aqui.
domingo, 25 de julho de 2010
.
Tourada a sério é aquela
em que se baralha a sorte
e o carrasco cai da sela
sobre os dois cornos da morte.
em que se baralha a sorte
e o carrasco cai da sela
sobre os dois cornos da morte.
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Perdi quem me reinvente,
quem ao menos me conforte,
já não espero que o teu ventre
me volte a guardar da morte.
quem ao menos me conforte,
já não espero que o teu ventre
me volte a guardar da morte.
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O tempo trota a cavalo,
sem batalha nem contraste,
pois se em jovem quis gastá-lo
já só quero que ele me gaste.
sem batalha nem contraste,
pois se em jovem quis gastá-lo
já só quero que ele me gaste.
sábado, 24 de julho de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
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Que nos teus braços se acoite
o último sonho de um louco:
já não suporto outra noite
em que me ofereças tão pouco.
o último sonho de um louco:
já não suporto outra noite
em que me ofereças tão pouco.
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Há muito que deixei cair o princípio da parcimónia, se alguma vez tive de o deixar cair... Parafraseando Einstein, as coisas têm de ser simples, sim - mas não mais simples do que isso.
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De tanta grávida de. Da-des dados de barato, é erro ou machismo, do tempo em que era tudo semente do homem. Grávida com, sim: A Ana está grávida com o Manel. E, já agora, também: o Manel está grávido com a Ana, a Ana e o Manel estão grávidos. Toda a gente sabe que é da Ana o maior milagre. E já agora, parabéns!
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Se não sei cortar o fio
com que mata o meu passado,
ao menos cortem-me o pio
e ponham-me noutro lado.
com que mata o meu passado,
ao menos cortem-me o pio
e ponham-me noutro lado.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
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Exausto do seu papel de co-insone, o Barbas saiu da sala e atravessou-se na cama. Afinal são meus, apenas meus, os pesadelos do quarto.
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Vou derramar todo o vinho
sobre o meu mundo pequeno
a ver se ainda me adivinho
nas névoas do teu aceno.
sobre o meu mundo pequeno
a ver se ainda me adivinho
nas névoas do teu aceno.
APRENDIZ DE DON JUAN
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Tenho andado com uma citação de Saramago na cabeça: «Eu, no fundo, não invento nada. Sou apenas alguém que se limita a levantar uma pedra e a pôr à vista o que está por baixo.»
Estas e outras frases de diferentes escritores levam-me, em primeiro lugar, a pensar que há autores de dois tipos: os que se acham autores de invenção e pretendem recombinar o mundo; e os que se acreditam autores de exposição e dizem descobrir a vida aos distraídos. Deuses criadores os primeiros, deuses omniscientes os segundos - para que eu possa viver em paz estão todos errados, a não ser que entendamos por "invenção" e "levantar uma pedra" actos muito mais ligeiros e bem menos importantes do que provavelmente aqueles dois tipos de autores gostariam.
Eu, para ser sincero, nem com o termo autor concordo. Prefiro sedutor, que é, afinal, o que todos eles são e que eu, muito provavelmente, ainda não aprendi a ser.
Tenho andado com uma citação de Saramago na cabeça: «Eu, no fundo, não invento nada. Sou apenas alguém que se limita a levantar uma pedra e a pôr à vista o que está por baixo.»
Estas e outras frases de diferentes escritores levam-me, em primeiro lugar, a pensar que há autores de dois tipos: os que se acham autores de invenção e pretendem recombinar o mundo; e os que se acreditam autores de exposição e dizem descobrir a vida aos distraídos. Deuses criadores os primeiros, deuses omniscientes os segundos - para que eu possa viver em paz estão todos errados, a não ser que entendamos por "invenção" e "levantar uma pedra" actos muito mais ligeiros e bem menos importantes do que provavelmente aqueles dois tipos de autores gostariam.
Eu, para ser sincero, nem com o termo autor concordo. Prefiro sedutor, que é, afinal, o que todos eles são e que eu, muito provavelmente, ainda não aprendi a ser.
terça-feira, 20 de julho de 2010
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«Já não vou à Ericeira, olhe... isto para não ser aldrabão, já lá não vou há pelo menos uns cinco anos. Não tenho lá nada, percebe? Só lá estão os meus pais e os meus irmãos.», «Percebo, percebo. Quando é assim...»
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Tem medo à facilidade,
ao que te dão, ao que se herda:
é sempre daí que te há-de
aparecer toda a merda.
ao que te dão, ao que se herda:
é sempre daí que te há-de
aparecer toda a merda.
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Como diz a praia ao mar
se o mar dela se aborrece,
eu hei-de sempre esperar
por quem sempre me aparece.
se o mar dela se aborrece,
eu hei-de sempre esperar
por quem sempre me aparece.
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O pó das estrelas beijou-me
de tantas, tantas maneiras,
e ofereceu-me no teu nome
a esperança de que me queiras.
de tantas, tantas maneiras,
e ofereceu-me no teu nome
a esperança de que me queiras.
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Este fantasma da posse... Sonhei-te grávida com quem amas e acordei no abismo. Contudo, tarde ou cedo isso acontecerá. Escondam-mo. Esperem que eu volte a sonhar o mesmo com sorriso e desprendimento.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
o espaço em que não estás
Subo ao nosso comboio
na gaveta de outros dias
quando eu ainda era antónio
e ainda tu me querias.
Quando o silvo da partida
trazia a hora da chegada
e uma esperança perdida
junto ao cais te segurava.
Teu corpo em tão pouca terra
nunca seria feliz:
foste à vida que te espera
e enferrujam os carris.
na gaveta de outros dias
quando eu ainda era antónio
e ainda tu me querias.
Quando o silvo da partida
trazia a hora da chegada
e uma esperança perdida
junto ao cais te segurava.
Teu corpo em tão pouca terra
nunca seria feliz:
foste à vida que te espera
e enferrujam os carris.
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Tanto que te quero! Apesar disso, ser-nos-emos cada vez mais estranhos. Claro que um de nós morrerá primeiro, daqui a alguns anos; e o outro, se for avisado, ficará em casa a recordar o silêncio: estaria a mais no funeral.
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Tu és a moça que cora,
eu sou o gajo que espuma,
tu fai l'amore a toda a hora,
eu há anos que não dou uma.
eu sou o gajo que espuma,
tu fai l'amore a toda a hora,
eu há anos que não dou uma.
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Estes comentadores da bola fazem sempre com que o jogador a recepcione. Então a bola já não se recebe? Ou receber a bola é só para as peladinhas entre amigos?
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Abomino a arrogância e o amor superficial às cadeiras - muito do que vejo no engenhoso, tudo o que vejo no coelho em passos de senhor. Um dia destes vou para a Nova Zelândia, que já estou farto de vomitar.
domingo, 18 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
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Estou exausto do 'r' lisboeta, que é como quem diz: francês. No outro dia, a Roja, vencedora deste Mundial, era Joja e feria-me os ouvidos... Claro que muitos lisboetas não fazem a mínima ideia do que é que eu estou a falar.
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Se é adeus que delas espero,
adeus, então, às mulheres,
e direi que não te quero
por mais que tu me quiseres.
adeus, então, às mulheres,
e direi que não te quero
por mais que tu me quiseres.
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Que sentido faz um post-scriptum numa mensagem electrónica? Talvez nenhum, à parte o meu gosto e a minha vida.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
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Minhas palavras ao lado
nunca pretendem magoar-te:
tudo o que tenho falhado
é por mera ausência de arte.
nunca pretendem magoar-te:
tudo o que tenho falhado
é por mera ausência de arte.
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Fui perdendo todo o empenho,
toda a ânsia em mim se refreia:
eu já nunca me entretenho
a erguer castelos na areia.
toda a ânsia em mim se refreia:
eu já nunca me entretenho
a erguer castelos na areia.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
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Não sendo o Casillas, namorasse eu a Sara - e ela não teria gostado nada do beijo subtraído à frente de todos e no seu posto de trabalho. Também se dá a forte hipótese de eu nunca ter tido namorada.
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«Carrega no erre, filho», disse-me um dia a minha mãe, tinha eu três ou quatro anitos, «não é caro, é carro». Aprendi logo ali, que muito atento respondi: «Carralho.» E, escusado será dizer, ainda hoje se conta a história.
terça-feira, 13 de julho de 2010
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Gastar em audi's para ostentar os milhões a mais roubados ultimamente = actualizar o inventário de veículos à disposição. São os enriquecimentos do vocabulário socratoso.
domingo, 11 de julho de 2010
POLVO
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1:
No jogo das meias-finais entre as selecções holandesa e uruguaia, e apesar de nenhum comentador ter tocado no assunto, o lance do primeiro golo da selecção holandesa foi precedido de falta grave, para vermelho, de um holandês sobre um uruguaio. E o segundo golo da mesma selecção só existiu porque um jogador holandês, em posição irregular, não só dificultou a visibilidade do guarda-redes uruguaio como se fez ao lance, tentando desviar a bola.
2:
A selecção espanhola foi beneficiada pela arbitragem e pela sorte em, pelo menos, dois jogos: contra as selecções portuguesa e paraguaia. Acresce ainda que noutro jogo, contra a selecção chilena, um tal de David Villa festejou o primeiro golo, contra a corrente do jogo, em postura de torturador, vulgo torero.
3:
Snijder, da selecção da holandesa, e Villa, da selecção espanhola, estão entre os melhores artilheiros, com 5 golos cada.
4:
Paul, o Polvo, garante que a selecção espanhola vai ganhar o jogo da final, daqui a pouco.
Então:
a:
Que ganhe a Espanha. Mas que, seja qual for o cenário, Villa não marque nenhum golo: não o quero a gabar-se de ser o melhor artilheiro. Ideal era que Snijder marcasse pelo menos um...
b:
Já terei tudo o que espero deste dia, entre tantos dias em que nada espero.
c:
Que fique coxo das três patas quem se atrever a matar o polvo e maneta ademais quem dele se alimentar.
1:
No jogo das meias-finais entre as selecções holandesa e uruguaia, e apesar de nenhum comentador ter tocado no assunto, o lance do primeiro golo da selecção holandesa foi precedido de falta grave, para vermelho, de um holandês sobre um uruguaio. E o segundo golo da mesma selecção só existiu porque um jogador holandês, em posição irregular, não só dificultou a visibilidade do guarda-redes uruguaio como se fez ao lance, tentando desviar a bola.
2:
A selecção espanhola foi beneficiada pela arbitragem e pela sorte em, pelo menos, dois jogos: contra as selecções portuguesa e paraguaia. Acresce ainda que noutro jogo, contra a selecção chilena, um tal de David Villa festejou o primeiro golo, contra a corrente do jogo, em postura de torturador, vulgo torero.
3:
Snijder, da selecção da holandesa, e Villa, da selecção espanhola, estão entre os melhores artilheiros, com 5 golos cada.
4:
Paul, o Polvo, garante que a selecção espanhola vai ganhar o jogo da final, daqui a pouco.
Então:
a:
Que ganhe a Espanha. Mas que, seja qual for o cenário, Villa não marque nenhum golo: não o quero a gabar-se de ser o melhor artilheiro. Ideal era que Snijder marcasse pelo menos um...
b:
Já terei tudo o que espero deste dia, entre tantos dias em que nada espero.
c:
Que fique coxo das três patas quem se atrever a matar o polvo e maneta ademais quem dele se alimentar.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
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Diz-se fila quando se devia dizer bicha. Bicha é cobra, é serpente, é a palavra certa e mais bonita para pessoas atrás de pessoas e carros atrás de carros. Os brasileiros talvez vissem outra coisa neste pessoas atrás de pessoas, não sei. Só sei que nos tiraram da bicha e puseram na fila. E eu continuo a dizer: «Desculpe, está na bicha?» Porque assim está melhor.
terça-feira, 29 de junho de 2010
MACARRONICES
Quando alguém me pede uma informação em inglês, tenho um primeiro tique de má vontade. Se me parecer que, para essa pessoa, é suposto eu percebê-la e responder-lhe na mesma língua, já me aconteceu mandá-la passear com um não sei. Mas se ela começar com porrr favorrr: do you speak english, puxo do mapa com um a little bit e descarrego-o straight ahead, apesar das limitações e do sotaque.
O preço da ecumenicidade da língua inglesa é mesmo esse: o de ser maltratada. Se todos somos obrigados a usá-la, no mínimo todos podemos torpedeá-la. Aliás, o que me faz rir é precisamente o contrário: um português com todos os maneirismos e toada típicos dos ingleses.
Mas o que me faz rir ainda mais é um português sem ponto de equilíbrio. Ultimamente, que me lembre, vi três na televisão, cujas motivações não consegui perceber. Há uns tempos surgiu Sócrates-o-do-ministério a tropeçar em castelhano. Foi tão confrangedor que, entre os risos, deixei-me envergonhar no enterro do meu sofá. O mesmo aconteceu ontem, quando Carlos Queiroz maltratou a mesma língua. E o mesmo, ainda, quando o escritor António Lobo Antunes se pôs a falar um português-de-perfume-postiço ao responder a um conjunto de jornalistas brasileiros.
Os espanhóis e os brasileiros percebem muito bem o nosso português. Pronunciem-se as palavras à nossa maneira, devagar e completamente como eles deveriam fazer com as suas. O esforço não tem de ser só nosso, não sejamos ridículos.
O preço da ecumenicidade da língua inglesa é mesmo esse: o de ser maltratada. Se todos somos obrigados a usá-la, no mínimo todos podemos torpedeá-la. Aliás, o que me faz rir é precisamente o contrário: um português com todos os maneirismos e toada típicos dos ingleses.
Mas o que me faz rir ainda mais é um português sem ponto de equilíbrio. Ultimamente, que me lembre, vi três na televisão, cujas motivações não consegui perceber. Há uns tempos surgiu Sócrates-o-do-ministério a tropeçar em castelhano. Foi tão confrangedor que, entre os risos, deixei-me envergonhar no enterro do meu sofá. O mesmo aconteceu ontem, quando Carlos Queiroz maltratou a mesma língua. E o mesmo, ainda, quando o escritor António Lobo Antunes se pôs a falar um português-de-perfume-postiço ao responder a um conjunto de jornalistas brasileiros.
Os espanhóis e os brasileiros percebem muito bem o nosso português. Pronunciem-se as palavras à nossa maneira, devagar e completamente como eles deveriam fazer com as suas. O esforço não tem de ser só nosso, não sejamos ridículos.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
HOMO ICAROS
Grandes correntes, grandes descobertas, grandes invenções, grandes actos assentam, muitas vezes, na facilidade que alguns têm para, considerando menos do que meia dúzia de variáveis, avançar. Quando têm consciência dessa facilidade, esse avanço é desonestidade intelectual. Quando não, é mesmo, e só, limitação. Em ambos os casos é arrogância. E em ambos os casos há, quase sempre, outros que pensaram o mesmo mas não deram o passo. Ou porque o soubessem em cama de erro ou porque o soubessem mal fundamentado.
Concluindo e resumindo, se subimos tão alto devemo-lo a um conjunto de filósofos e cientistas, políticos e artistas que se julgaram mais importantes e/ou mais inteligentes do que na realidade eram. Os verdadeiros pensadores nunca poderiam ter chegado a quaisquer conclusões sobre este mundo: sabiam que os 'dados' eram exíguos; que era estreita a capacidade humana; que, no fundo, o homem é, apenas e ao mesmo tempo, mais uma das teorias da-e-sobre-a-natureza.
Não se me derretam em vida as asas deste Ícaro.
Concluindo e resumindo, se subimos tão alto devemo-lo a um conjunto de filósofos e cientistas, políticos e artistas que se julgaram mais importantes e/ou mais inteligentes do que na realidade eram. Os verdadeiros pensadores nunca poderiam ter chegado a quaisquer conclusões sobre este mundo: sabiam que os 'dados' eram exíguos; que era estreita a capacidade humana; que, no fundo, o homem é, apenas e ao mesmo tempo, mais uma das teorias da-e-sobre-a-natureza.
Não se me derretam em vida as asas deste Ícaro.
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