A tal ponto ruiu a obra
que ruiu com ela o passado:
já nem a memória sobra
do amor que nos foi jurado.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
o hábito da ausência
no dia em que eu conseguir viver da tua ideia em mim teremos um caso sério
talvez eu concorra para presidente da assembleia da república ou quem sabe talvez ponha uma bomba sob o assento de um audi
talvez fosse melhor desistirmos das ideias
talvez fosse melhor estares aqui
talvez eu concorra para presidente da assembleia da república ou quem sabe talvez ponha uma bomba sob o assento de um audi
talvez fosse melhor desistirmos das ideias
talvez fosse melhor estares aqui
in vino veritas
o antónio é que parece fixe
qual antónio?
aquele o luís do pinguim
não consegui ler
nem tentei mas ele parece fixe
sim para dizer olá
e para que mais podia ser?
sei lá tu é que disseste que ele parecia fixe
parece não disse que é
ah bom eu cá acho-o um pouco feioso
sim claro mas parece fixe é só isso que eu quero dizer
pois estou a perceber a mim nem isso
se calhar não é
pois se calhar isto é a gente a falar
é pena é ser um pouco foleiro
mas se fosse fixe
sim se fosse fixe mas não deve ser
pois nãoo antónio é que parece fixe
qual antónio? aquele o luís do pinguim não consegui ler nem tentei mas ele parece fixe sim para dizer olá e para que mais podia ser? sei lá tu é que disseste que ele parecia fixe parece não disse que é ah bom eu cá acho-o um pouco feioso sim claro mas parece fixe é só isso que eu quero dizer pois estou a perceber a mim nem isso se calhar não é pois se calhar isto é a gente a falar é pena é ser um pouco foleiro mas se fosse fixe sim se fosse fixe mas não deve ser pois não
qual antónio?
aquele o luís do pinguim
não consegui ler
nem tentei mas ele parece fixe
sim para dizer olá
e para que mais podia ser?
sei lá tu é que disseste que ele parecia fixe
parece não disse que é
ah bom eu cá acho-o um pouco feioso
sim claro mas parece fixe é só isso que eu quero dizer
pois estou a perceber a mim nem isso
se calhar não é
pois se calhar isto é a gente a falar
é pena é ser um pouco foleiro
mas se fosse fixe
sim se fosse fixe mas não deve ser
pois nãoo antónio é que parece fixe
qual antónio? aquele o luís do pinguim não consegui ler nem tentei mas ele parece fixe sim para dizer olá e para que mais podia ser? sei lá tu é que disseste que ele parecia fixe parece não disse que é ah bom eu cá acho-o um pouco feioso sim claro mas parece fixe é só isso que eu quero dizer pois estou a perceber a mim nem isso se calhar não é pois se calhar isto é a gente a falar é pena é ser um pouco foleiro mas se fosse fixe sim se fosse fixe mas não deve ser pois não
cão
hoje pus-me à janela
e só vi merda na calçada
peões que deitam papéis ao chão
automobilistas que estacionam em cima do passeio de tal modo que nem os peões que deitam papéis ao chão podem passar
a madame que sai com o animal à rua e boceja sem mãos enquanto ele descarrega o cilindro
a pitinha que chama a avó de estúpida entre balões de pastilha e mensagens telemóveis
não vi diferença entre mulheres e homens como por aí se apregoa
apenas todos muito cheios de si todos no pico da merda todos muito valiosos
foi um minuto se tanto
que logo voltei a ser cão
e só vi merda na calçada
peões que deitam papéis ao chão
automobilistas que estacionam em cima do passeio de tal modo que nem os peões que deitam papéis ao chão podem passar
a madame que sai com o animal à rua e boceja sem mãos enquanto ele descarrega o cilindro
a pitinha que chama a avó de estúpida entre balões de pastilha e mensagens telemóveis
não vi diferença entre mulheres e homens como por aí se apregoa
apenas todos muito cheios de si todos no pico da merda todos muito valiosos
foi um minuto se tanto
que logo voltei a ser cão
sábado, 8 de janeiro de 2011
chá
no encanto de um chá breve
silêncio e confissão
eu desaprendi o alfabeto do amor quando me ensinaste o do fim
silêncio e confissão
eu desaprendi o alfabeto do amor quando me ensinaste o do fim
antónio
olha maria
podes chamar-me de luís
que lembra camões e por isso
não está nada mal
mas também podes insistir no tó
ou no dionísio
ou até no luís antónio
que não tem muito que ver mas enfim
arrancar-me-ias um sorriso se me pusesses anto
e estou à vontade com tânio
eu sei é estranho
mas garante maalouf que é o mesmo que antónio
eu não gosto é de inhos
nem de toinos tonis ou tonecas
e muito menos de juniores
também não gosto que me chames de imbecil
como no dia em que fui mais humilde
entretanto e enquanto não te decides
faz de mim o que sou:
antónio simplesmente
e um pouco parvo até
podes chamar-me de luís
que lembra camões e por isso
não está nada mal
mas também podes insistir no tó
ou no dionísio
ou até no luís antónio
que não tem muito que ver mas enfim
arrancar-me-ias um sorriso se me pusesses anto
e estou à vontade com tânio
eu sei é estranho
mas garante maalouf que é o mesmo que antónio
eu não gosto é de inhos
nem de toinos tonis ou tonecas
e muito menos de juniores
também não gosto que me chames de imbecil
como no dia em que fui mais humilde
entretanto e enquanto não te decides
faz de mim o que sou:
antónio simplesmente
e um pouco parvo até
.
Dizem as notícias que o douro está a recuar aos poucos para o seu leito. Ao menos, os rios têm leito.
outubro
fui feliz
e não entendi que aquele dia
estava entre os teus piores
agora que tens o mundo a teus pés
quem dera que me pudesses perdoar
e não entendi que aquele dia
estava entre os teus piores
agora que tens o mundo a teus pés
quem dera que me pudesses perdoar
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
ressaca
ofereceram o martini três quartos de litro do melhor
e a macieira também
e eu vinha para casa com tanto por escrever uma história por metro sem exagero
mas agora estou invejoso ressentido triste e desistente
traiçoeiro e desatento instalado imensamente perdido
o que mais e sempre aborrirá ao espelho do que nunca fui
é viver com esta vertigem e sem o ouvido fácil do meu pai
dizem os psicólogos que a palavra tem efeitos duradoiros
e tem
só é pena é serem sempre negativos
e a macieira também
e eu vinha para casa com tanto por escrever uma história por metro sem exagero
mas agora estou invejoso ressentido triste e desistente
traiçoeiro e desatento instalado imensamente perdido
o que mais e sempre aborrirá ao espelho do que nunca fui
é viver com esta vertigem e sem o ouvido fácil do meu pai
dizem os psicólogos que a palavra tem efeitos duradoiros
e tem
só é pena é serem sempre negativos
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
nova iorque - lisboa
olha antónio
tu lembras-te daquela vez
em que arrancaste a cabeça ao homem-aranha
lembras-te pois
e a seguir eu comecei a rir muito e tu disseste
eh pá este gajo não é de lisboa
foi ao homem-aranha foi
e depois a cabeça desapareceu e não conseguíamos encontrá-la
e tu dizias que tinha sido eu que a tinha escondido
e eu quase a chorar que não que tinhas sido tu
lembras-te pois
alturas tantas começámos a chamar a cabeça de cabecinha
e andámos pela casa toda à procura dela
lembras-te lembras-te
que eu ria muito quando tu repetias
eh pá este gajo não é mesmo de lisboa
pois olha aqui tens a cabecinha e o resto
não havia fantasmas como concluímos então
encontrei-a ontem debaixo do tapete e colei-a
é que sabes antónio
afinal o homem-aranha é de lisboa
tu lembras-te daquela vez
em que arrancaste a cabeça ao homem-aranha
lembras-te pois
e a seguir eu comecei a rir muito e tu disseste
eh pá este gajo não é de lisboa
foi ao homem-aranha foi
e depois a cabeça desapareceu e não conseguíamos encontrá-la
e tu dizias que tinha sido eu que a tinha escondido
e eu quase a chorar que não que tinhas sido tu
lembras-te pois
alturas tantas começámos a chamar a cabeça de cabecinha
e andámos pela casa toda à procura dela
lembras-te lembras-te
que eu ria muito quando tu repetias
eh pá este gajo não é mesmo de lisboa
pois olha aqui tens a cabecinha e o resto
não havia fantasmas como concluímos então
encontrei-a ontem debaixo do tapete e colei-a
é que sabes antónio
afinal o homem-aranha é de lisboa
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
sons vocálicos em português
garantem vários sítios na rede que a língua portuguesa tem doze sons vocálicos e nunca me dizem quais são
ponho-me a pensar:
1) á de casa
2) é de cela
3) i de bica
4) ó de bola
5) u de muro
6) â de cada
7) ê de cedo
8) ô de bolo
9) ã de canto
10) (~e) de vento
11) (~i) de cinto
12) õ de monte
13) õ' de ontem
14) (~u) de mundo
15) (e) de pequeno
quinze se não contarmos com o ü madeirense
ponho-me a pensar:
1) á de casa
2) é de cela
3) i de bica
4) ó de bola
5) u de muro
6) â de cada
7) ê de cedo
8) ô de bolo
9) ã de canto
10) (~e) de vento
11) (~i) de cinto
12) õ de monte
13) õ' de ontem
14) (~u) de mundo
15) (e) de pequeno
quinze se não contarmos com o ü madeirense
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
sereia
confessou uma vez eduardo prado coelho algo que me faz todo o sentido e torce o nariz a muitos: que não escreveria se não houvesse mulheres
como o entendo que há muitos muitos anos a mulher és tu
mas hoje sei que és tão muito tão tanto tão mais e de mais
estrela além e sereia noutro mar
e estou exausto
exausto de me atar ao mastro para me não perder
exausto de sentir que o meu grito aborrece já
vou experimentar uma nova demanda:
a do vazio
como o entendo que há muitos muitos anos a mulher és tu
mas hoje sei que és tão muito tão tanto tão mais e de mais
estrela além e sereia noutro mar
e estou exausto
exausto de me atar ao mastro para me não perder
exausto de sentir que o meu grito aborrece já
vou experimentar uma nova demanda:
a do vazio
domingo, 2 de janeiro de 2011
ao teu lado
.
agora que de novo sabemos como pertences aqui
guarda-me em silêncio não passes o resto das nossas vidas
a lembrar-me e ao mundo que um dia me distraí
há-de ser outro o sofá que nos senta outra a mesa que nos recupera outra a cama que nos entrega
pode vir a ser outro o carro para nos conduzir e outra a cidade quem sabe que nos venha a inventar
mas em nenhum minuto morreremos de nós
e se um dia o meu coração quis partir
nunca te esqueça meu amor que estou aqui
que na verdade nunca saí daqui
que não quero mais
do que estar aqui sempre ao teu lado
agora que de novo sabemos como pertences aqui
guarda-me em silêncio não passes o resto das nossas vidas
a lembrar-me e ao mundo que um dia me distraí
há-de ser outro o sofá que nos senta outra a mesa que nos recupera outra a cama que nos entrega
pode vir a ser outro o carro para nos conduzir e outra a cidade quem sabe que nos venha a inventar
mas em nenhum minuto morreremos de nós
e se um dia o meu coração quis partir
nunca te esqueça meu amor que estou aqui
que na verdade nunca saí daqui
que não quero mais
do que estar aqui sempre ao teu lado
sábado, 1 de janeiro de 2011
2011
está combinado entre muitos de nós que a terra acaba de completar a elipse na sua brincadeira de pião
mas a brincadeira continua e na outra volta que agora começa
muitas propensões me agradam e outras enfim
instalar a ambição de ter cada vez menos diminuir por exemplo a biblioteca vender a casa investir ainda mais na desaprendizagem do trânsito
agrada-me
diminuir a capacidade para fazer amigos e continuar a perder os muito poucos que me restam
apurar a tristeza e a angústia que orientam o meu caos
quem sabe morrer
enfim
de resto é quase tudo desejar-vos uma volta por nuvens de algodão
mas por favor sem consensos exagerados
mas a brincadeira continua e na outra volta que agora começa
muitas propensões me agradam e outras enfim
instalar a ambição de ter cada vez menos diminuir por exemplo a biblioteca vender a casa investir ainda mais na desaprendizagem do trânsito
agrada-me
diminuir a capacidade para fazer amigos e continuar a perder os muito poucos que me restam
apurar a tristeza e a angústia que orientam o meu caos
quem sabe morrer
enfim
de resto é quase tudo desejar-vos uma volta por nuvens de algodão
mas por favor sem consensos exagerados
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
desconstrução
O Júri do Prémio LeYa reuniu esta tarde na sede da editora, em Alfragide, para deliberar sobre a atribuição do Prémio relativo a 2010.
Perante originais que, apesar de algumas potencialidades, se apresentam prejudicados por limitações na composição narrativa e por fragilidades estilísticas, o Júri entendeu que as obras a concurso não correspondem à importância e ao prestígio do Prémio LeYa no âmbito das literaturas de língua portuguesa. Em consequência, e de acordo com a alínea f) do art.º 9 do respectivo Regulamento, decidiu por unanimidade não atribuir o Prémio LeYa referente ao ano de 2010.
1) neste comunicado de 29 de novembro passado o júri esqueceu-se de referir que apenas leu 4 originais escolhidos por uma comissão de leitura de entre 325 obras concorrentes esquecimento grave porque há-de pensar quem não o souber que a argumentação exposta se refere a todas as obras
2) de qualquer texto com boa ou má vontade critério assim ou critério assado se pode concluir que apresenta limitações na composição narrativa e fragilidades estilísticas estas são expressões que pela sua universalidade dizem tudo e não dizem nada e tenho a certeza de que também encaixariam bem os textos premiados no par de anos anterior
3) o prémio leya ainda não tem a importância e o prestígio que o comunicado garante é muito recente para isso ainda falta perceber se os seus premiados anteriores realmente o distinguirão por enquanto o prémio leya e parafraseando o que se costuma dizer do prémio nobel vale o que vale: 100 000 euros
4) eu concorri não sei se o meu texto está entre os 4 com limitações narrativo-estilísticas ou se faz parte dos 321 que foram directamente para o lixo mas cada vez mais me convenço que o comunicado do júri é indelicado e mesmo desrespeitoso no seu conteúdo para quem como eu pensa um pouco o mundo ficou apenas por dizer o mais importante: o júri ou grande parte do júri não gostou de nenhuma das 4 obras que leu
Perante originais que, apesar de algumas potencialidades, se apresentam prejudicados por limitações na composição narrativa e por fragilidades estilísticas, o Júri entendeu que as obras a concurso não correspondem à importância e ao prestígio do Prémio LeYa no âmbito das literaturas de língua portuguesa. Em consequência, e de acordo com a alínea f) do art.º 9 do respectivo Regulamento, decidiu por unanimidade não atribuir o Prémio LeYa referente ao ano de 2010.
1) neste comunicado de 29 de novembro passado o júri esqueceu-se de referir que apenas leu 4 originais escolhidos por uma comissão de leitura de entre 325 obras concorrentes esquecimento grave porque há-de pensar quem não o souber que a argumentação exposta se refere a todas as obras
2) de qualquer texto com boa ou má vontade critério assim ou critério assado se pode concluir que apresenta limitações na composição narrativa e fragilidades estilísticas estas são expressões que pela sua universalidade dizem tudo e não dizem nada e tenho a certeza de que também encaixariam bem os textos premiados no par de anos anterior
3) o prémio leya ainda não tem a importância e o prestígio que o comunicado garante é muito recente para isso ainda falta perceber se os seus premiados anteriores realmente o distinguirão por enquanto o prémio leya e parafraseando o que se costuma dizer do prémio nobel vale o que vale: 100 000 euros
4) eu concorri não sei se o meu texto está entre os 4 com limitações narrativo-estilísticas ou se faz parte dos 321 que foram directamente para o lixo mas cada vez mais me convenço que o comunicado do júri é indelicado e mesmo desrespeitoso no seu conteúdo para quem como eu pensa um pouco o mundo ficou apenas por dizer o mais importante: o júri ou grande parte do júri não gostou de nenhuma das 4 obras que leu
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
tão simples
o grito é como as coisas muito complicadas que exigem palavra certa em rotina impossível
mas um dia entenderás
que sempre a melhor arte é a do silêncio
que o amor nasce e vive entre sussurros
que só puxa pela garganta quem já perdeu o futuro
mas um dia entenderás
que sempre a melhor arte é a do silêncio
que o amor nasce e vive entre sussurros
que só puxa pela garganta quem já perdeu o futuro
setenta e três do quilo
como sempre hoje enfeitei desistências instaladas com sorrisos breves mas largos
comi tudo o que havia no prato a ver se recupero os quilos que me regressem ao mal-estar antigo e também chorei qual prostituta bonitinha quando ao cabo de meia hora um homem a sério veio fazer de mim princesa
num dos blogues que sigo li rasgados consensuais aflitivos elogios de autora e comentadores a um dos livros que mais detestei sabe quem me conhece que me refiro a o velho e o mar de hemingway e que nunca fui capaz de ler outra coisa desse bronco
já no jornal de letras sempre tão intelectualóide constatei mais uma vez que de entre os escritores finitrintões apenas me vai interessando um que se apelida mãe e pai se quer
também no mesmo jornal o meu luxo de fim de ano descobri o autor esquecido do primeiro romance histórico português chamava-se guilherme centazzi e pareceu-me em duas ou três citações bem melhor que o fraquinho do almeida garrett o seu desde sempre sobrestimado contemporâneo
acabo estes desabafos precisamente com uma passagem do centazzi porque foi nela o momento alto do meu dia o momento em que desfiz o sorriso inocente para me desfazer no riso da inveja:
meus escritos (...) não são engendrados à custa das óperas de são carlos; nem meus versos recheados de belos pensamentos alheios, alinhavados com palavras doces como torrões de açúcar (...)
eu cá sou assim...
bom ou mau quero chamar-lhe meu.
nem mais
comi tudo o que havia no prato a ver se recupero os quilos que me regressem ao mal-estar antigo e também chorei qual prostituta bonitinha quando ao cabo de meia hora um homem a sério veio fazer de mim princesa
num dos blogues que sigo li rasgados consensuais aflitivos elogios de autora e comentadores a um dos livros que mais detestei sabe quem me conhece que me refiro a o velho e o mar de hemingway e que nunca fui capaz de ler outra coisa desse bronco
já no jornal de letras sempre tão intelectualóide constatei mais uma vez que de entre os escritores finitrintões apenas me vai interessando um que se apelida mãe e pai se quer
também no mesmo jornal o meu luxo de fim de ano descobri o autor esquecido do primeiro romance histórico português chamava-se guilherme centazzi e pareceu-me em duas ou três citações bem melhor que o fraquinho do almeida garrett o seu desde sempre sobrestimado contemporâneo
acabo estes desabafos precisamente com uma passagem do centazzi porque foi nela o momento alto do meu dia o momento em que desfiz o sorriso inocente para me desfazer no riso da inveja:
meus escritos (...) não são engendrados à custa das óperas de são carlos; nem meus versos recheados de belos pensamentos alheios, alinhavados com palavras doces como torrões de açúcar (...)
eu cá sou assim...
bom ou mau quero chamar-lhe meu.
nem mais
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
um homem melhor (lhasa de sela - el deserto)
primeiro consolo: desistir ele de procurar desistir tanto e de tal maneira... mas que procura foi essa mesmo?
segundo consolo: não ressentir a tua procura essa procura que o exclui e que ainda há pouco tanto lhe doía
a medida justa?
o repetido filme nocturno em que tu esperas um filho que não é dele
e isso já o não despertar
e isso não amarrotar a vida
e as suas mãos estarem vazias porque vazias são
a partir de agora esse homem deixa de sonhar
segundo consolo: não ressentir a tua procura essa procura que o exclui e que ainda há pouco tanto lhe doía
a medida justa?
o repetido filme nocturno em que tu esperas um filho que não é dele
e isso já o não despertar
e isso não amarrotar a vida
e as suas mãos estarem vazias porque vazias são
a partir de agora esse homem deixa de sonhar
sábado, 25 de dezembro de 2010
friu
no terceiro ano do meu curso de psicologia um docente da casa que vinha de alguns anos a ensinar na universidade do minho informou-nos que em lisboa nunca se constipava porque em lisboa não havia frio o que havia era friu
à parte a brincadeira que nem todos perceberam e que se explica por muitos lisboetas se referirem ao rio como quem dele sempre se riu a verdade é que eu já não sei que mais fazer para aguentar o gelo da casa
às vezes apetecia-me largar esta vida sentada ao computador e pôr-me a viver sem destino livre da cabeça e de pulmão cheio
às vezes sonho deixar que o tempo corra por mim e me apanhe desprevenido num mundo que gire sem o meu peso
que bom seria poder constipar-me a sério
à parte a brincadeira que nem todos perceberam e que se explica por muitos lisboetas se referirem ao rio como quem dele sempre se riu a verdade é que eu já não sei que mais fazer para aguentar o gelo da casa
às vezes apetecia-me largar esta vida sentada ao computador e pôr-me a viver sem destino livre da cabeça e de pulmão cheio
às vezes sonho deixar que o tempo corra por mim e me apanhe desprevenido num mundo que gire sem o meu peso
que bom seria poder constipar-me a sério
il ne faut pas devenir amer
as únicas férias que tive levou-me nelas a sophie
fazia verão em noventa e três e então como hoje
eu não era grande espingarda
daquelas duas semanas e meia de portugal lembro algumas alegrias e muitos castelos mas sobre tudo a tristeza por mais uma paixão em solilóquio
os anos apuram e nos temperos do fracasso me fui requintando
só tenho pena de ter perdido olhos para as coisas simples
e não poderia lamentar mais ter amargado tanto
ela já temia que tudo isto poderia acabar assim que ao caldeirão da minha centésima desistência não se cansava de soprar:
ah mon cher tozinho il ne faut pas
devenir amer
fazia verão em noventa e três e então como hoje
eu não era grande espingarda
daquelas duas semanas e meia de portugal lembro algumas alegrias e muitos castelos mas sobre tudo a tristeza por mais uma paixão em solilóquio
os anos apuram e nos temperos do fracasso me fui requintando
só tenho pena de ter perdido olhos para as coisas simples
e não poderia lamentar mais ter amargado tanto
ela já temia que tudo isto poderia acabar assim que ao caldeirão da minha centésima desistência não se cansava de soprar:
ah mon cher tozinho il ne faut pas
devenir amer
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
a mais certinha das ciências
chegada pela manhã e para o café trazia olheiras na mais recente confissão dos astros
planetas quase tudo recordo bem mas ó luís
há mais que sol para nome de estrela
logologo inquiria e tu? e sempre me gritigriticriticava
esta rota de carneiro em rotina de balança
até que um dia nos perdemos de tanto nos termos perperdido
o que só prova pó com pó
que a astrologia é patranha maior ou mesmo até
a mais certinha das ciências
planetas quase tudo recordo bem mas ó luís
há mais que sol para nome de estrela
logologo inquiria e tu? e sempre me gritigriticriticava
esta rota de carneiro em rotina de balança
até que um dia nos perdemos de tanto nos termos perperdido
o que só prova pó com pó
que a astrologia é patranha maior ou mesmo até
a mais certinha das ciências
sem
a partir daqui os dias crescem
e talvez tenha sido este o último solstício
a deus e a marx esses que tanto hipócrita junta nas capelinhas de hoje só peço que de algum modo se me dê o próximo equinócio
de resto que se foda o meu futuro
e talvez tenha sido este o último solstício
a deus e a marx esses que tanto hipócrita junta nas capelinhas de hoje só peço que de algum modo se me dê o próximo equinócio
de resto que se foda o meu futuro
canto do sencisne
quem vertigem fosse em garrafa de-----pode ser cerveja pode-----e sobrevivesse ao futuro durante o escorrega da fronteira castanha-----e cuspisse desprezo sobre os antirreticentistas da moda-----
e fizesse isto ... ... ... ... isto ... ... ... e mais isto ... ... ... até à náusea
eu já sei que perdi-----agora quero mais é andar à roda
e fizesse isto ... ... ... ... isto ... ... ... e mais isto ... ... ... até à náusea
eu já sei que perdi-----agora quero mais é andar à roda
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
meio dom da natura
de bocage o desprendimento o negócio impossível e claro a penca
de tolentino a ânsia por mama o auto-empequenecimento e claro mais nada
de atitudes malconciliáveis comportamentos cambaiados
e amorrece por transes da ventura
o mísero cavalo lazarento
de tolentino a ânsia por mama o auto-empequenecimento e claro mais nada
de atitudes malconciliáveis comportamentos cambaiados
e amorrece por transes da ventura
o mísero cavalo lazarento
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
tão inverno
dezembro fez-se tão inverno que se eu pudesse
metia a vida no quarto
talvez então dormisse muito
_____quente dos cobertores e da flanela nos lençóis novos
_____e do cão que suspira e aconchega e encaracola
talvez e nesse caso os sonhos filtrassem a tristeza
como água nas paredes que a espera rachou
talvez e também nesse caso
durante muitos anos me escondesse a vida
e só me despertasse quando também eu já fosse inverno
bem pior vão as primaveras de que me tens falado
metia a vida no quarto
talvez então dormisse muito
_____quente dos cobertores e da flanela nos lençóis novos
_____e do cão que suspira e aconchega e encaracola
talvez e nesse caso os sonhos filtrassem a tristeza
como água nas paredes que a espera rachou
talvez e também nesse caso
durante muitos anos me escondesse a vida
e só me despertasse quando também eu já fosse inverno
bem pior vão as primaveras de que me tens falado
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
crónica
experimentei palavra a palavra
com pronúncia cheia e dias de permeio
havia as que eram nomes como os nomes que nos demos
e também as que eram tarde se foi tarde que nos quisemos
mas a maior parte nascia da morte
e palavra com palavra a morte veio mesmo
pela esquina esperada
ainda assim passou imenso tempo
como quem no abismo trabalhasse
e não trabalhasse mais que o regresso
com pronúncia cheia e dias de permeio
havia as que eram nomes como os nomes que nos demos
e também as que eram tarde se foi tarde que nos quisemos
mas a maior parte nascia da morte
e palavra com palavra a morte veio mesmo
pela esquina esperada
ainda assim passou imenso tempo
como quem no abismo trabalhasse
e não trabalhasse mais que o regresso
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
pelas pessoas felizes
1. deixa partir em ti quem já de ti partiu sobretudo e se não o conseguires abafa esse estúpido e repisado grito de ajuda com que aborreces as pessoas felizes
2. mente bem mente muito e contra todos os puristas que só vêem mentiras nas mentiras dos outros mente acima de tudo para fugir às longas e aborrecidas conversas sobre o binário dos automóveis e mente ainda mais muito mais nos gestos e palavras com que garantes estar bem às pessoas felizes
3. investe na arte da ausência aprende-a melhor não desistas mesmo que por hipótese ta ponham à prova nunca te esqueça que não há melhor presente que a tua ausência para as pessoas felizes
4. podes escrever muito se quiseres mas escreve para ti evita o mais que puderes esta coisa dos blogues e dos livros que as tuas queixas não agradam nada nos escaparates das pessoas felizes
5. e já agora se não for pedir muito morre mais rápido não seria grande a alegria posto que és insignificante mas sempre abririas o champanhe de algumas pessoas felizes
2. mente bem mente muito e contra todos os puristas que só vêem mentiras nas mentiras dos outros mente acima de tudo para fugir às longas e aborrecidas conversas sobre o binário dos automóveis e mente ainda mais muito mais nos gestos e palavras com que garantes estar bem às pessoas felizes
3. investe na arte da ausência aprende-a melhor não desistas mesmo que por hipótese ta ponham à prova nunca te esqueça que não há melhor presente que a tua ausência para as pessoas felizes
4. podes escrever muito se quiseres mas escreve para ti evita o mais que puderes esta coisa dos blogues e dos livros que as tuas queixas não agradam nada nos escaparates das pessoas felizes
5. e já agora se não for pedir muito morre mais rápido não seria grande a alegria posto que és insignificante mas sempre abririas o champanhe de algumas pessoas felizes
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
pausa
a rede faz alguma companhia confesso sobretudo porque me organiza neste lugar em que vou escrevendo e que nunca teve o móbil da exposição: diz-me aliás um contador invisível por imperícia minha que não chegam a duzentas as visitas nestes quase noventa dias
claro que eu também visito e muito
a rede também me oferece dicionários e é muito cómodo e é muito rápido procurar esta definição ou aquela tradução sem ter de me levantar para ir enchendo a mesa de bíblias
a rede guarda-me ainda um correio que embora passe dias e dias em branco será a ausência mais difícil de ultrapassar
consola-me saber que ninguém me enviaria mensagem urgente que não me telefonasse
portanto a rede não me é imprescindível
ainda há cadernos ou ficheiros word ainda bibliotecas que guardam dicionários ainda este maldito telemóvel sempre em queda livre
venha pois a pausa que me foi prometida
claro que eu também visito e muito
a rede também me oferece dicionários e é muito cómodo e é muito rápido procurar esta definição ou aquela tradução sem ter de me levantar para ir enchendo a mesa de bíblias
a rede guarda-me ainda um correio que embora passe dias e dias em branco será a ausência mais difícil de ultrapassar
consola-me saber que ninguém me enviaria mensagem urgente que não me telefonasse
portanto a rede não me é imprescindível
ainda há cadernos ou ficheiros word ainda bibliotecas que guardam dicionários ainda este maldito telemóvel sempre em queda livre
venha pois a pausa que me foi prometida
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
adeus
não pude que não lhe dissesse:
ah dionisio dionísio mentecapto dionísio
morreste há muito no canto do cisne pára de pensar nisso e a sereia que mais querias regressou ao mar onde sempre cantou
esse teu fechar de olhos para ainda ouvir há que desabituá-lo dionísio hás-de aprender a estar bem quando sem ti se está muito melhor
no seu olhar a paz do moribundo respondeu-me:
tens razão luís
e foi tudo
ah dionisio dionísio mentecapto dionísio
morreste há muito no canto do cisne pára de pensar nisso e a sereia que mais querias regressou ao mar onde sempre cantou
esse teu fechar de olhos para ainda ouvir há que desabituá-lo dionísio hás-de aprender a estar bem quando sem ti se está muito melhor
no seu olhar a paz do moribundo respondeu-me:
tens razão luís
e foi tudo
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
branco
examinei-lhe o rasto rastejando
deduzi-lhe um porvir acocorado
e agora penteio-lhe o cabelo ao vento
para me encher entre dentes das suas vagas douradas
deduzi-lhe um porvir acocorado
e agora penteio-lhe o cabelo ao vento
para me encher entre dentes das suas vagas douradas
ainda assim
a cabeça do homem salta de mão e no entanto a volta é sempre a mesma
contrariando os pressupostos com que julga orientar o mundo ele tropeça num como-destino e regressa ao mundo que o desorienta
ainda assim grita que não pode ser
e ainda assim parece que sim
contrariando os pressupostos com que julga orientar o mundo ele tropeça num como-destino e regressa ao mundo que o desorienta
ainda assim grita que não pode ser
e ainda assim parece que sim
amor doente
por aí se diz dionísio amigo que ainda vives que em breve retomarás o teu velho caminho e deixarás de espreitar sobre a vida cheia de quem partiu
mas eu sei que morreste mesmo
e talvez venha a ser eu o contrariado viandante que ao caminho regresse
mas eu sei que morreste mesmo
e talvez venha a ser eu o contrariado viandante que ao caminho regresse
greve
de meu pai aprendi o horror à hora parada e a obrigação ao trabalho prometido
mas de meu pai também que ninguém me põe a pata em cima
que miséria quando os governantes são larápios e os governados roubam os dias
mas de meu pai também que ninguém me põe a pata em cima
que miséria quando os governantes são larápios e os governados roubam os dias
terça-feira, 23 de novembro de 2010
ocaso
nascentes nas minhas mortes uma lágrima se junta à outra
e amargas inúteis todas correm sobre rio que seca e renasce
não sei explicar isto
nao posso entender este ocaso perene
se à noite semeei o dia e da lavoura acordei sorrindo
e amargas inúteis todas correm sobre rio que seca e renasce
não sei explicar isto
nao posso entender este ocaso perene
se à noite semeei o dia e da lavoura acordei sorrindo
de vez
quantas voltas mais haverá nesta cama quantos braços esvaziarão de insónia ainda com quanto frio me há-de o fim tiritar?
ah quem pudera fazer as contas
ah quem pudera fazer as contas
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
escuro
odeio assassinos chamem-se eles hitler franco ou stalin che fidel ou salazar
todos os partidos sem excepção já me provaram que são detestáveis
não tenho ídolos
sou incapaz de votar
tenho por única ambição o desvio da merda
todos os partidos sem excepção já me provaram que são detestáveis
não tenho ídolos
sou incapaz de votar
tenho por única ambição o desvio da merda
juan sin tenorio
nem todas se despediram: de algumas descobriste apenas ou foste descobrindo que já não voltavam
as que se despediram afirmaram quase todas que era coisa delas que apenas sentiam a falta de uma cama estreita
sempre entendeste o eufemismo e hás-de reconhecer que é a mentira mais doce melhor que a verdade com que uma te disse dionísio chega-me de pechisbeque
todas sem excepção já tinham em vista ou de facto quem lhes melhorasse os dias
mas isso nunca te aborriu pois se os dias melhoraram mesmo...
pior são as noites como esta em que a solidão e o medo ao desastre se juntam numa antiga e imensa tortura
as que se despediram afirmaram quase todas que era coisa delas que apenas sentiam a falta de uma cama estreita
sempre entendeste o eufemismo e hás-de reconhecer que é a mentira mais doce melhor que a verdade com que uma te disse dionísio chega-me de pechisbeque
todas sem excepção já tinham em vista ou de facto quem lhes melhorasse os dias
mas isso nunca te aborriu pois se os dias melhoraram mesmo...
pior são as noites como esta em que a solidão e o medo ao desastre se juntam numa antiga e imensa tortura
domingo, 21 de novembro de 2010
as desculpas pedem-se
há tempos ouvia-se muito em coimbra a sentença as desculpas não se pedem evitam-se
entretanto e ainda em dias que por lá passava senti que a frase foi morrendo
para meu contentamento que por várias razões sempre a detestei e que pelas mesmas entre mais nunca a usei
primeiro porque acho que é irritantemente simplista: as desculpas são para se pedir sim à parte essa carga judaico-cristã que a palavra exibe e mal se vislumbra e o que teoricamente se poderia aconselhar a evitar não são as desculpas em si mas os actos que a elas conduzem
segundo porque sempre me era dirigida a invectiva por toda e qualquer desculpa que pedisse desde a que antecedia uma simples interrupção de marcha alheia até à que resultava de um acto menos... desculpável
e terceiro por ser uma frase tão desapegada: é demasiado fácil e até algo desonesto coroar de evitabilidade o erro cometido
ora acontece que acreditando extinta a minha inimiga ouvi-a uma boa meia dúzia de vezes neste último ano agora aqui por lisboa
e mais uma vez em situações que me põem culpa e me atrevem ao pedido inútil
todos sabemos que a culpa não se desculpa que se alguém a pudesse desculpar seria o próprio que a sente
por isso amigos e não só na próxima vez em que eu vos fizer o ultrajante pedido entendei apenas: estarei confessando que preferiria não vos ter magoado
e respondei com um não aceito para serdes sinceros
ou com um aceito para serdes simpáticos
ou melhor ainda com a ciência do silêncio
mas as desculpas não se pedem evitam-se por favor...
tamanhos sois?
entretanto e ainda em dias que por lá passava senti que a frase foi morrendo
para meu contentamento que por várias razões sempre a detestei e que pelas mesmas entre mais nunca a usei
primeiro porque acho que é irritantemente simplista: as desculpas são para se pedir sim à parte essa carga judaico-cristã que a palavra exibe e mal se vislumbra e o que teoricamente se poderia aconselhar a evitar não são as desculpas em si mas os actos que a elas conduzem
segundo porque sempre me era dirigida a invectiva por toda e qualquer desculpa que pedisse desde a que antecedia uma simples interrupção de marcha alheia até à que resultava de um acto menos... desculpável
e terceiro por ser uma frase tão desapegada: é demasiado fácil e até algo desonesto coroar de evitabilidade o erro cometido
ora acontece que acreditando extinta a minha inimiga ouvi-a uma boa meia dúzia de vezes neste último ano agora aqui por lisboa
e mais uma vez em situações que me põem culpa e me atrevem ao pedido inútil
todos sabemos que a culpa não se desculpa que se alguém a pudesse desculpar seria o próprio que a sente
por isso amigos e não só na próxima vez em que eu vos fizer o ultrajante pedido entendei apenas: estarei confessando que preferiria não vos ter magoado
e respondei com um não aceito para serdes sinceros
ou com um aceito para serdes simpáticos
ou melhor ainda com a ciência do silêncio
mas as desculpas não se pedem evitam-se por favor...
tamanhos sois?
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