domingo, 24 de maio de 2026

a minha casa (para Q.)


Não te admire onde me pus
desde que a vida me atrasa,
porque onde me guie a luz
será sempre a minha casa:

no cansaço que vagueia
as reticências da frase;
na azáfama de uma ideia
sob o azul de um olhar quase;

no caos com que hoje refiz
o caos com que me governo;
no risco traçado a giz
comigo às portas do inferno.

sábado, 23 de maio de 2026

sexta-feira, 22 de maio de 2026

primeiro café da tarde lv (para Q.)


Não estou desta casa que luz todo o dia

e nem desse inferno

que às vezes se instala

no azul do que agora

parece de fora.

Não sou.

Passadiço sempre onde me pus,

a lápis e giz tracei

o meu tempo em al-Andalus.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Das ästhetische Wiesel (Christian Morgenstern)


A DONINHA ESTETA


No riacho a doninha

sentada numa pedrinha

escutava água-ia-água-vinha.


Deves querer

saber a razão.


Deu-ma há pouco

em segredo

o homem da lua:


Para o refina-

do animal

era uma questão de rima.


Christian Morgenstern, Das ästhetische Wiesel (traição de luís caminha)








segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

primeiro café da tarde liv (3 nov. 2025)

 

Este amor?

                    Simples inércia

de retiro,

            um só resíduo

de alma atenta que o disseque.

À luz fátua da solécia,

sempre vão, sempre decíduo,

parece ouro.

                    É pechisbeque.