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quinta-feira, 6 de maio de 2021

Qhadija





Quando nas ruas de Lisboa,
há pouco mais de pouco vento,
a primavera andava à toa
do que fazias com o tempo,
isto da vida era deus dentro,
janela aberta para o encontro
antes da urgência e seus escombros.
.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

quase como tu


Como tu, sou papagaio,
minto e cedo à carne fraca;
como tu, mal me distraio
também corto na casaca.

Como tu, com pouco ou nada
para o burgo contribuo;
como tu, não dou passada
que não seja de recuo.

Como tu, fiz-me acrobata
no céu raso deste à toa;
já vês: apenas me falta,
como tu, ser de Lisboa.

sexta-feira, 8 de março de 2013

porque lisboa mora aqui (2003)


Eis onde se encontram os caminhos,
onde o rio é o mar que ontem perdi
onde sempre aparece o fugitivo
porque Lisboa mora aqui.

Onde viaja o desejo em ascensores
e um esconderijo tenho para mim,
onde entreguei a  vida aos meus amores
porque Lisboa mora aqui.

Meninas já não querem ser princesas
e há homens que preferem perseguir
o mar dentro de um copo de cerveja
porque Lisboa mora aqui.

Os pássaros visitam o psiquiatra
e há estrelas que se esquecem de sair,
a morte passa em ambulâncias brancas
porque Lisboa mora aqui.

O sol já só aquece a gás butano,
a vida é metro quase de partida
e deixaste a seringa no lavabo
porque Lisboa mora aqui.

Quando quiser a morte visitar-me
não me despertes, deixa-me dormir,
aqui lavrei a minha última tarde
porque Lisboa mora aqui.